Tribunal dos EUA anula novo mapa eleitoral favorável aos democratas na Virgínia
A Suprema Corte da Virgínia revogou nesta sexta-feira (8) um plano de redistribuição de distritos eleitorais aprovado pelos eleitores desse estado dos Estados Unidos, um duro golpe para os democratas, que teriam sido favorecidos antes das eleições legislativas de meio de mandato de novembro.
A redistribuição, impulsionada pelos democratas nesse estado, praticamente lhes garantia aumentar suas cadeiras na Câmara dos Representantes de 6 para 10, de um total de 11.
O novo mapa eleitoral havia sido aprovado em um referendo em 21 de abril.
No entanto, a Suprema Corte da Virgínia anulou essa redistribuição por motivos processuais, ao considerar que o processo não havia respeitado as exigências da Constituição do estado e que, consequentemente, o referendo ficava "nulo e sem efeito".
A decisão mantém os distritos atuais e marca outro ponto crítico em uma guerra de redistribuição de circunscrições que se intensifica entre democratas e republicanos, enquanto ambos os partidos buscam vantagem na Câmara, dividida por uma margem estreita.
O presidente Donald Trump celebrou a "enorme vitória" para seu partido e "para os Estados Unidos", em uma mensagem em sua rede Truth Social.
Por outro lado, o presidente da Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, classificou a decisão judicial como "sem precedentes e antidemocrática". "Nossa luta não terminou. Estamos apenas começando", assegurou.
A redistribuição de distritos costuma seguir o censo nacional dos Estados Unidos, realizado a cada 10 anos.
Mas Trump tem instado os estados controlados pelos republicanos a redesenhar os mapas eleitorais para favorecer seu partido nas eleições parlamentares deste ano e conservar a maioria.
O presidente democrata da Câmara dos Delegados da Virgínia, Don Scott, disse em um comunicado que "nenhuma decisão pode apagar o que os virginianos deixaram claro nas urnas".
A decisão deixa aberta a possibilidade de novos recursos, potencialmente perante a Suprema Corte dos Estados Unidos, de maioria conservadora.
No fim de abril, essa Corte anulou o mapa eleitoral do estado da Luisiana, em uma decisão de grande alcance para a representação das minorias no Congresso, em particular afro-americanos e hispânicos.
A Corte concluiu que a Lei do Direito ao Voto, aprovada em 1965 em plena luta pelos direitos civis, não obrigava a Luisiana a criar um segundo distrito de maioria afro-americana.
L.Gallo--INP