Kirsty Coventry demarca caminho do COI: mais esporte, menos política
A presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, pediu aos membros da instituição nesta terça-feira (3) que se concentrem no esporte para preservar a neutralidade política dos Jogos Olímpicos, três dias antes da abertura da edição de inverno em Milão-Cortina.
"Os Jogos Olímpicos e os valores que eles representam são o nosso bem mais valioso", declarou Coventry durante a abertura da 145ª sessão do COI.
Havia grande expectativa sobre seu discurso, visto que, ao assumir o cargo em junho do ano passado, a ex-nadadora zimbabuana lançou um amplo processo de consulta em todos os níveis para definir os rumos do movimento olímpico, sem revelar, por enquanto, suas próprias propostas.
Sob o mandato de seu antecessor, o alemão Thomas Bach, o COI expandiu seu escopo de atuação, consolidando-se como líder de todo o movimento esportivo, abordando temas como impacto ambiental, direitos humanos, integridade das competições e o combate à violência no esporte.
"Ao longo da campanha e em muitas das nossas conversas desde então, ouvi a mesma mensagem de muitos de vocês: vamos nos concentrar na nossa missão principal. Somos uma organização esportiva", declarou Coventry aos cerca de cem membros da organização.
- O retorno da Rússia -
"Entendemos a política e sabemos que não atuamos isoladamente. Mas nosso campo de atuação é o esporte. Isso significa preservar a neutralidade do esporte, um espaço no qual todo atleta possa competir sem ser prejudicado pela política", acrescentou.
Coventry ainda não colocou essas ideias em prática, pois, por enquanto, manteve a política de Thomas Bach em relação, por exemplo, aos atletas russos: devido ao conflito na Ucrânia, apenas 13 poderão competir nos Jogos de Milão-Cortina, que começam na próxima sexta-feira (6), sob bandeira neutra e em provas individuais.
Mas o COI, assim como a Fifa e a Uefa no futebol, também se manteve à margem de outros conflitos, recusando-se, por exemplo, a discutir a situação dos atletas israelenses durante a ofensiva em Gaza.
Essa postura gerou críticas e acusações de duplo padrão no tratamento das questões políticas por parte do COI.
Outra questão sobre a qual se espera que Coventry se posicione é a participação de atletas transgênero e intersexuais em competições femininas.
- Fim da dualidade verão-inverno -
Nesta terça-feira, Coventry limitou-se a lançar mensagens genéricas, sem abordar essas questões: "Devemos garantir que os Jogos continuem a inspirar jovens em todo o mundo, refletindo seus valores. Isso significa encontrar o equilíbrio certo entre tradição e inovação".
As primeiras conclusões dos grupos de trabalho devem ser apresentadas na quarta-feira, segundo dia da sessão do COI.
Uma das medidas previstas é a eliminação da fronteira entre os esportes de inverno e de verão, com a incorporação, por exemplo, de modalidades como ciclocrosse, gravel e trail running no programa dos Jogos de 2030 nos Alpes Franceses.
"Teremos que tomar decisões e ter conversas difíceis, faz parte da mudança. Nem todos vão concordar em todas as questões, e isso é normal", alertou Coventry.
F.dAmico--INP