Fenômeno literário na França sofre acusações de uso de IA
Uma das estrelas em ascensão da temporada literária francesa, o canadense Thélyson Orélien, está no centro de uma polêmica, acusado de usar inteligência artificial para escrever seu romance de estreia, o que ele nega categoricamente.
Seu livro, "C'était ça ou mourir" (Era isso ou morrer, em tradução livre), tornou-se um fenômeno literário na França e está entre os favoritos aos principais prêmios desta temporada.
Esse sucesso também é internacional, já que o livro tem lançamento previsto em quase 30 países, incluindo Estados Unidos e Coreia do Sul.
Desde segunda-feira, o autor, que também possui nacionalidade haitiana, vem sendo acusado de ter escrito o livro "quase inteiramente" com inteligência artificial, segundo uma conta anônima no X.
A conta, que tinha menos de 100 seguidores quando lançou os ataques, alegou ter analisado diversos trechos da obra usando o programa americano de detecção de inteligência artificial Pangram.
"Sempre amei criar e escrever, não vejo por que recorreria a uma máquina", disse Orélien ao jornal francês Libération. Ele acrescentou que está "montando um dossiê" com seus editores para provar que escreveu a obra ele mesmo.
Após as acusações, a Grasset, editora do livro na França, emitiu um comunicado "contra quaisquer comentários maliciosos que afirmem categoricamente que o livro foi gerado ou escrito por IA, o que fere profundamente o escritor".
A AFP submeteu os mesmos trechos analisados com o Pangram a outras ferramentas de detecção e obteve resultados diferentes.
Com a ferramenta de verificação InVID-WeVerify, cocriada pela AFP, a avaliação indica que essas passagens foram "muito provavelmente escritas por um humano".
As conclusões de outras sete ferramentas de detecção (winston AI, detecting-ai.com, app.its-ai.org, detectgpt.com, isgen.ai, copyleaks.com, ghostbuster.app) são divergentes.
fa-cka-jri-jlo/es/erl/aa/fp
A.Imbrogno--INP