Oito mortos, seis de uma mesma família, em ataques russos contra a Ucrânia
Oito pessoas morreram, seis delas de uma mesma família, em uma onda de bombardeios noturnos russos contra a Ucrânia, o que levou Kiev a insistir junto a seus aliados na necessidade de receber mais sistemas de defesa antiaérea.
Mais de quatro anos após o início da ofensiva da Rússia contra a Ucrânia, os esforços diplomáticos continuam estagnados e os dois lados intensificam os ataques de longo alcance, com um número crescente de vítimas civis.
Um dos mísseis disparados na madrugada desta quinta-feira pela Rússia atingiu uma casa em uma aldeia próxima à cidade ucraniana de Kryvyi Rig, onde morreram seis integrantes de uma mesma família, incluindo duas meninas de 5 e 12 anos.
"Era uma casa comum, totalmente destruída por um míssil balístico", lamentou nesta quinta-feira o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
O chefe da administração militar local, Oleksandr Vilkul, detalhou que a casa foi atingida por "um míssil balístico Iskander-M, lançado a partir de (a cidade russa de) Voronezh". Zelensky informou que outras duas crianças foram resgatadas com vida.
Segundo as autoridades ucranianas, a Rússia lançou, entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira, um total de 74 mísseis e 284 drones.
A Força Aérea ucraniana assegurou ter interceptado 55 mísseis e 265 drones russos. Além dos seis mortos em Kryvyi Rig, uma pessoa faleceu em Kiev, a capital, e outra na região de Poltava. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas na cidade de Lviv.
De acordo com o Ministério da Defesa russo, suas forças miraram um complexo militar-industrial, comunicações militares e centros logísticos ucranianos.
Zelensky advertiu na quarta-feira que havia uma "alta probabilidade" de que a Rússia lançasse um ataque potente durante a noite. "Os russos prepararam um ataque em grande escala há vários dias, e há uma alta probabilidade de que o ataque seja realizado esta noite", afirmou na rede social X.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, denunciou os ataques "maciços" contra a Ucrânia, nos quais afirmou que Moscou violou o espaço aéreo da Polônia. A Rússia "constitui uma ameaça para a segurança de toda a Europa", avaliou.
- Defesa antibalística -
Autoridades da Polônia informaram ter encontrado em seu território uma cratera de 10 metros de largura em um terreno, possivelmente causada por um projétil, após os ataques russos contra a Ucrânia.
Drones russos já foram detectados anteriormente sobre o espaço aéreo polonês. Nas últimas semanas, a Rússia intensificou seus ataques com mísseis balísticos, que apenas os sistemas americanos Patriot são capazes de derrubar.
A Ucrânia enfrenta uma grave escassez de interceptores PAC-3, situação que se agravou desde a guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em fevereiro.
"Levando em conta a crítica escassez de mísseis de defesa aérea de nossos aliados, nossos guerreiros estão conseguindo coisas realmente incríveis", declarou Zelensky.
O mandatário ucraniano conversou na terça-feira com seu homólogo americano, Donald Trump, sobre defesa antibalística e sobre a possibilidade de que a Ucrânia fabrique os mísseis interceptores Patriot.
Ao longo da guerra, a Ucrânia desenvolveu formas de se defender de drones e mísseis russos, mas os mísseis balísticos, de alta velocidade, são mais difíceis de interceptar.
Dos mais de 120 mísseis balísticos disparados neste mês pela Rússia, a Ucrânia derrubou menos de um terço, segundo a Força Aérea de Kiev. Por outro lado, a taxa de interceptação de drones é de cerca de 90%.
D.Ricci--INP