Jair Bolsonaro nega ter autorizado "deepfake" no qual apoia campanha de Flávio
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou nesta quarta-feira (29) que ele tenha autorizado um vídeo criado com inteligência artificial (IA) no qual declara apoio à candidatura presidencial de seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas eleições de outubro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) havia solicitado explicações sobre o uso desse "deepfake" ao ex-presidente por considerar que o episódio poderia representar uma violação da proibição imposta pela própria Corte de que ele se manifeste publicamente, seja nas redes sociais ou por intermédio de terceiros.
No sábado, durante a convenção partidária em que Flávio Bolsonaro lançou oficialmente sua candidatura à Presidência, um "deepfake" do ex-presidente, de 71 anos, foi exibido em um telão.
"Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial. Como todos aqui sabem, estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária", afirmou a réplica digital de Jair Bolsonaro.
"Peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio", prossegue o vídeo exibido durante a convenção do Partido Liberal.
Os advogados do ex-presidente afirmaram que Jair Bolsonaro "não autorizou" a criação desse conteúdo.
O Supremo havia advertido que autorizar o vídeo representaria uma "grave transgressão" das condições impostas para que o ex-presidente retornasse para casa após vários meses na prisão.
O tribunal também alertou que Flávio Bolsonaro pode ter violado a legislação eleitoral, que proíbe a criação de "deepfakes" de figuras públicas para transmitir mensagens de natureza política.
Ao utilizar a imagem do pai, o candidato pode ter levado os eleitores a acreditar que Jair Bolsonaro participa de sua campanha, o que configuraria "um evidente exemplo de desinformação eleitoral por meio de conteúdo sintético", segundo a Corte.
Os advogados do ex-presidente lembraram, por sua vez, que os quatro filhos homens de Bolsonaro "sempre utilizaram sua imagem pública no âmbito da atividade político-partidária", sem que houvesse qualquer oposição por parte do pai.
O ex-presidente, no entanto, deve cumprir uma série de restrições, entre elas a proibição de usar redes sociais, aparelhos celulares ou fazer pronunciamentos públicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscará um quarto mandato nas eleições de outubro e, segundo as pesquisas, aparece à frente de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto.
E.Danieli--INP