Diretora do FMI visita Argentina em demonstração de apoio a Milei
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, inicia nesta segunda-feira (27) uma visita à Argentina, seu principal devedor, em mais uma demonstração de apoio da instituição ao rumo econômico liderado pelo presidente ultraliberal Javier Milei.
Sua reunião com o mandatário argentino está marcada para as 17h00 desta segunda-feira. Também tem encontros previstos com o ministro da Economia, Luis Caputo; o presidente do Banco Central, Santiago Bausili; e representantes do setor empresarial e do campo universitário, segundo uma fonte do FMI.
Georgieva deve viajar a Vaca Muerta, uma extensa reserva de petróleo e gás de xisto, considerada um pilar da autonomia energética e das exportações argentinas, na província de Neuquén, a cerca de 1.200 quilômetros ao sul de Buenos Aires.
A visita à segunda maior reserva de gás não convencional e quarta maior de petróleo de xisto do mundo deve acontecer na terça-feira.
Caputo celebrou "a excelente relação e o diálogo construtivo do (nosso) governo com o organismo, no âmbito do programa econômico em curso, que é um sucesso", ao anunciar a visita em julho.
Julie Kozack, diretora de Comunicação do FMI, citou, por sua vez, um "momento oportuno" para fazer balanços sobre o programa atual promovido pela instituição na Argentina.
- Economia de contrastes -
A visita de Georgieva ocorre em um momento de contrastes na economia argentina, que há dois anos e meio atravessa um período de máxima austeridade.
Com a inflação controlada, que deixou de ser de três dígitos para ficar em 33,5% em 12 meses em junho, o ajuste implicou amplos cortes nos gastos públicos. Além disso, o crescimento ainda é fraco (+0,2% em 12 meses), e o consumo interno é ainda mais debilitado.
O FMI prevê para a Argentina um crescimento de 3,5% em 2026 e de 4% em 2027.
Segundo um relatório recente do Banco Central, a inadimplência das famílias argentinas com os bancos triplicou em um ano, chegando a 12,8%, seu nível mais alto em 20 anos. Diante deste contexto, pequenos partidos de extrema esquerda convocaram uma manifestação para a tarde desta segunda-feira.
Na véspera da visita de Georgieva, Milei detalhou seu projeto de reforma. As mudanças propostas à carta orgânica do Banco Central, que em breve passarão à discussão parlamentar, estabelecerão que sua missão fundamental "volta a ser a de preservar o valor da moeda", escreveu o presidente argentino em uma coluna no jornal Clarín.
A Argentina assinou em 2025 um Acordo de Facilidades Estendidas com o FMI de 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 118 bilhões) em quatro anos.
F.Criscuolo--INP